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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Medo do sucesso


O animal arrebata a coleira do dono e com ela açoita-se a si mesmo para, por sua vez, sentir-se dono, sem saber que tudo não passa de uma fantasia.

PODE PARECER ESTRANHO, mas há pessoas que têm pavor do sucesso e se dedicam a autoflagelar-se e a boicotar-se.
Há várias razões para termos medo do sucesso:
  • A primeira é que, uma vez alcançado o êxito, temos sempre de provar por que estamos ali e perdemos o direito de errar ou de fracassar. Precisamos nos manter no topo.
  • A segunda é que o sucesso pode ser sinônimo de responsabilidades, estresse e esforço.
  • A terceira pode ter origem na baixa autoestima: a falta de confiança em nós mesmos nos faz acreditar que não merecemos tal triunfo.
  • A quarta é que temos medo de que o sucesso desperte a inveja ou o ciúme das pessoas à nossa volta e que isso atrapalhe nossas relações sociais.
  • Por último, a quinta é a possibilidade de que, se chegarmos ao topo, não nos restem objetivos pelos quais lutar e nossa vida se torne monótona.

Todas essas razões costumam ser exageradas, grãos de areia que transformamos em montanhas, e frequentemente nem nos damos conta disso.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 33


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O segredo dos bons relacionamentos...


Não se deve negar a ninguém o que lhe cabe, nem ao mundo sua vitória.

UM DOS MAIORES SINAIS DE MATURIDADE ESPIRITUAL é saber reconhecer o mérito dos outros,esquecendo-nos por um momento de nossos dons e de nossa própria necessidade de atenção.Os grandes líderes – seja de um time ou de uma empresa – são aqueles que sabem fazer com que as outras pessoas se sintam importantes. Isso acontece porque chefes assim…
• não sentem sua posição ameaçada pelo fato de as pessoas à sua volta também fazerem um bom trabalho;
• sabem identificar o talento alheio e elogiar publicamente seu valor;
• não veem a organização como uma competição de egos, mas como uma soma de capacidades para chegar a um objetivo comum;
• provocam e instigam seus colaboradores para que as ideias fluam livremente.
Esse conjunto de atitudes também é muito útil para uma boa relação com os pais, os filhos, o companheiro ou os amigos. Reconhecer o que os outros têm de positivo, em vez de enfatizar seus defeitos, é o segredo dos bons relacionamentos.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 57

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

As crenças...


Toda crença é pesada e ligeira como uma guilhotina. 

NINGUÉM ESTÁ LIVRE DE PRECONCEITOS. Franz Kafka sabia disso por experiência própria, por ser judeu, tcheco e falar alemão.Nem mesmo as mentes mais abertas estão livres das ideias preconcebidas e dos estereótipos. A causa disso é cultural, já que tudo o que vivemos acaba atuando como filtro entre nós e a realidade. Hoje em dia, as pessoas não experimentam a rejeição e o desprezo apenas por parte daqueles que estão fora de sua comunidade, que são de outra cultura, raça ou religião. Elas também têm ideias preconceituosas e limitadoras acerca de si mesmas. Veja algumas:
• Acreditamos ser incapazes de fazer algo só porque nunca tentamos fazê-lo antes.
• Suspeitamos que outras pessoas nos censuram ou nos subestimam, embora seja bem possível que elas não tenham uma opinião formada sobre nós.
• Tendemos a acreditar que um fracasso se repetirá, mas nos esquecemos de que não há dois momentos nem duas circunstâncias iguais.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 12

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os problemas...


Como um caminho no outono:assim que é varrido,volta a cobrir-se de folhas secas.

UM ANTIGO CONTO ZEN fala de um monge que tinha a obrigação de varrer as folhas do pátio do mosteiro. Como cada vez que ele terminava sua tarefa aparecia uma nova folha trazida pelo vento, ele adquiriu o hábito de sempre deixar uma no chão, para que não tivesse de sofrer por isso.
Esta breve história é uma alegoria perfeita sobre os problemas. Costumamos sofrer mais pelo medo das atribulações do que pelas atribulações propriamente ditas, pois nem sempre elas acontecem de fato.
Como um monge que deseja manter o chão sempre imaculado, aspirar a uma vida sem dificuldades é um grande sofrimento, pois a ausência de complicações não é algo natural.
O diretor de cimena Woody Allen expressou muito bem essa ideia: “A melhor maneira de ser feliz é gostar de seus problemas.” Ele tem toda a razão, porque problemas nunca irão nos faltar,assim como as folhas secas no pátio do monge.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 31

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A paciência...


Todos os erros humanos são fruto da impaciência, da interrupção prematura de um processo ordenado, de um obstáculo artificial criado em torno de uma realidade artificial.

A PACIÊNCIA É UMA ATITUDE inteligente e pragmática que nos poupa de uma infinidade de conflitos. Segundo o guru indiano Osho, apenas observar é a arte da paciência. Observar o que acontece à nossa volta, sem nos anteciparmos aos acontecimentos, é um sinal da consciência da paz.
O Dalai-Lama afirma que “Nada é tão atraente em um homem como sua cortesia, sua paciência e sua tolerância”.
Mas talvez quem melhor definiu essa fonte de calma e inspiração tenha sido Jean-Jacques Rousseau, ao dizer: “A paciência é amarga, mas seus frutos são muito doces.”
Vale a pena recuperar essa virtude cada vez que nos sentimos tentados a escrever uma mensagem ofensiva, a discutir com nosso companheiro ou até a tomar uma decisão precipitada a respeito de um assunto que ainda não amadureceu.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 22


sábado, 4 de janeiro de 2014

Valorizar as pequenas coisas do dia a dia...



O cotidiano em si já é maravilhoso.Eu não faço nada mais do que registrá-lo.

SARAH BAN BREATHNACH DIZ que devemos dedicar um tempo a limpar o ambiente à nossa volta para que possamos celebrar as maravilhas do dia a dia.Quando nos cercamos de limpeza, mantemos o espírito arejado. Limpar e organizar as coisas nos ajuda a pôr em ordem nosso interior.Sarah afirma que precisamos utilizar todos os sentidos para realizar qualquer tarefa cotidiana,por mais banal que pareça: cozinhar, ler o jornal, fazer compras, trabalhar, cuidar das crianças,conversar com os vizinhos. Toda atividade é uma bela aventura e um momento valioso se acreditarmos nisso.Se levarmos em consideração esse encanto cotidiano de que falava Kafka, aproveitaremos muito melhor o tempo e teremos uma vida mais plena, pois faremos de um simples ato um momento especial.Há outros livros que revelam a delícia por trás da rotina.
O primeiro gole da cerveja e outros minúsculos prazeres, de Philippe Delerm, por exemplo, ressalta os pequenos deleites diários de que quase não tomamos consciência.O título já é revelador: quando estamos sedentos e pedimos qualquer bebida (não necessariamente cerveja), o primeiro gole é uma autêntica explosão para os sentidos.
Frequentemente deixamos de valorizar os pequenos prazeres, que são o combustível da felicidade.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 11




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Medo da liberdade...


Os lugares onde se esconder são numerosos, mas só há uma saída, embora as possibilidades de escapar outra vez sejam tantas quantos os lugares onde se esconder.

ESTA ENIGMÁTICA REFLEXÃO DE KAFKA me faz lembrar de um conto contemporâneo de autor desconhecido.Seu protagonista é um homem condenado a trinta anos de prisão por um crime que não cometeu. Os altos muros cinza foram, durante toda a sua juventude, a paisagem cotidiana que seus olhos viram. 
Pouco a pouco ele foi se habituando ao ambiente carcerário: os demais internos se tornaram seus irmãos, e os responsáveis pelo lugar se transformaram na autoridade familiar. Sua cela era seu quarto, e a biblioteca era seu único refúgio. Os livros de aventuras o transportavam para além dos muros de concreto.
Chegou o dia em que a sua sentença foi cumprida, mas ninguém se lembrou disso, nem sequer ele mesmo. Três anos se passaram, e um funcionário percebeu que o homem já tinha direito à liberdade havia tempos. 
Ao lhe comunicarem isso, ele ficou aterrorizado. Quando as portas da prisão se fecharam às suas costas, ele sentiu-se nu. De repente, o mundo exterior – a liberdade – lhe parecia uma prisão imensa.
Todos somos um pouco como esse homem. Ansiamos pela liberdade, mas morremos de medo dela.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 14

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

As respostas se encontram no cão















Todo o conhecimento,todas as perguntas e todas as respostas se encontram no cão. 

QUE KAFKA QUERIA DIZER com essa reflexão?
Ninguém pode saber exatamente. No entanto,não há dúvida de que o cão, além de companheiro inseparável do ser humano, ensina virtudes que muitos deixaram de cultivar:

Lealdade: Não devemos ser leais só a uma pessoa ou a uma ideologia – é igualmente importante sermos leais a nós mesmos.
Carinho: Precisamos expressar abertamente o que sentimos pelos outros.
Coragem: A arte de dominar o medo, principalmente quando se trata de defender os entes queridos.
Alegria: Nós, seres humanos, deveríamos “abanar o rabo” mais vezes diante dos prazeres da vida cotidiana.
Honestidade: Um cão é um ser em que se pode confiar: sabemos que estará ali quando necessitarmos dele, imune ao cansaço e à decepção.

Devemos aprender com os cães tudo o que esquecemos no caminho, para voltar a ser humanos.

Allan Percy
do livro Kafka para Sobrecarregados- pg 18